Pós-parto real: mãe, casal, bebé

Hoje sentei-me para falar do pós-parto: da mãe, do casal, do bebé. Sentei-me para retratar a experiência de uma família que no sábado eu vi emocionalmente muito destroçada. 

Eram 19h45 e eu estava a entrar na casa deles…

  • Uma mãe dorida, com uma experiência de parto antes do tempo esperado e, ainda por cima, com feridas resultantes de uma alergia ao material de penso que foi aplicado na maternidade;
  • Um pai cauteloso, a tentar equilibrar a família mas notoriamente cansado;
  • Uma recém-nascida tranquila e serena mas que foi submetida a forças externas que lhe causaram vários desconfortos, naturalmente.

Hoje trago-vos a Ângela e o Alexandre, depois de me terem dito “partilha que nós queremos ajudar mais famílias”. Um casal que precisa e merece este artigo por toda a força que tiveram e estão a ter, mas também por todo o carinho e reconhecimento que dão ao nosso trabalho. Obrigada família querida por estarem aqui hoje!

Quando a vi

Quando a vi naquele sofá, à entrada de casa, parecia ela que me esperava ansiosamente. Olhou-me e chorou, no imediato. Abracei-a e disse-lhe “vais conseguir, eu sei!”. Contou-me como tinha sido o parto, as primeiras horas e estes dois dias na maternidade. Desde o nosso curso pré-parto criámos uma ligação bonita. Inclusive marcou-me terem aparecido no lançamento do meu livro em Lisboa 🥰

Mostrou-me as feridas e as mamas

Observei as feridas e percebi que a dor que sentia tinha de ser intensa. Percebi a medicação que estava prescrita e que aquela cadeira onde se sentava não era de todo a apropriada ao seu conforto. Recomendei o sofá, onde tinha mais apoio de costas e braços. 

Mostrou-me as mamas e explicou-me os principais desconfortos. Estava tão cansada e emocionalmente em baixo que recomendei-lhe um banho antes de continuar. Precisava de relaxar. Eu ajudava. E assim fiz: ajudei-a a despir-se e, depois, a limpar-se após o banho. Cuidei das feridas que tinha nas pernas. 

No fim, ajudei-a a massajar as mamas. Expliquei-lhe as técnicas. Replicou. Nos mamilos já tinha feridas resultantes de pega inadequada desde o início. E em 48h de vida de uma bebé a mamar sem técnica correta, as mamas podem mesmo ficar muito feridas.

Era hora de avaliar a bebé

Era hora de avaliar a bebé que estava ao colinho do papá. Fazia-se de forte mas por dentro estava alguém preocupado: com a sua esposa, com a sua bebé que precisava de comer.

Despi a bebé que me olhava como se me conseguisse ver 🥰 e fiz a sua avaliação completa. Notei no imediato vários desconfortos cervicais, alguma preferência para a rotação de um dos lados do corpo, mas ótimos reflexos. Tinha chegado hoje da maternidade, por isso só a partir do dia seguinte podia fazer o diagnóstico precoce (teste do pezinho). Então, era altura de mamar. Muitas correções tinham de ser feitas.

Começámos por perceber bem a posição da bebé e a técnica em si. Relembrámos o que tínhamos aprendido no curso (e que agora parecia ter desaparecido da cabeça, como acontece tantas vezes no meio de toda a nova vida).

O início foi doloroso. Muito. Depois a técnica foi aprimorada e encontrámos uma posição ideal para já. Garanti que conseguiam fazer sozinhos, para as próximas horas em que não estaríamos juntos.

Fui embora preocupada

Fui embora preocupada e com o estômago nas costas. Eram 22h30 quando comecei a jantar, já os meus filhos e marido dormiam juntos. Não conseguia deixar de pensar naquela família. 

Acompanhei, pelo whatsapp, no domingo. Tento sempre esquecer os problemas do trabalho mas há famílias que me levam com elas…

Na segunda-feira regressei

A segunda feira começou e eu já estava com eles: quando cheguei encontrei uma mulher diferente.

Tinha aspeto de quem tinha dormido umas horas. Parecia mesmo recuperada ou, pelo menos, melhorada emocional e fisicamente. 

Mas as mamas estavam muito tensas

As mamas estavam muito tensas mesmo: foi essencial reforçarmos a massagem e melhorarmos a técnica. 

A técnica de mamada estava bem melhor, mas ainda fizemos alguns ajustes.

Fiz o teste do pezinho à pequenina e quando a pesei verificámos que já estava a aumentar de peso, algo que nem é vulgar nestes primeiros 4-5 dias de vida! 🥰 

Tínhamos boas notícias, muito bons motivos para sorrir.

A Ângela e o Alexandre conseguiam ver isso. Só sei que no final saí e recebi uma fotografia desta mãe a sorrir e a amamentar, sem esforço, sem desconforto. 

Que a vida lhes permita aproveitar esta bebé e ser muito felizes! Obrigada por nos deixarem um pouco de vós e levarem um pouco de nós🥰

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