Sono do bebé: características, privação e segurança

Hoje celebra-se o dia mundial do sono, e a verdade é que o nascimento de um bebé impacta muito a vida de uma família, sendo que o sono é um tema importante nesta equação. Quando o bebé nasce, os pais deparam-se com uma privação de sono que nunca antes vivenciaram, o que tem grande impacto, quer a nível pessoal quer a nível familiar. Engane-se quem acha que terá o “bebé perfeito” e que a experiência será perfeita, em que o bebé dormirá a noite toda. Nem é suposto!  Também é verdade que, muitas vezes, em desespero e com o cansaço, os pais acabam por colocar os filhos a dormir consigo, verificando-se muitas vezes que o conceito de cama partilhada é mesmo uma opção familiar. Segundo a Academia Americana de Pediatria, os riscos associados a acidentes durante o sono aumentam nestes casos, no entanto, algumas medidas podem ser tomadas para minimizar esses riscos, sempre conscientes que essa não é a opção recomendada pelas entidades que estudam exaustivamente o tema.  Assim, neste artigo, importa falar de 2 tópicos diferentes:

  • Características do sono do bebé
  • Condições de segurança 

O que esperar de um bebé, no que diz respeito ao sono?

O sono é uma necessidade biológica de todos os seres, desempenhando uma função protetora do organismo e que permite a reparação e recuperação após um período de atividade.  Especialmente nas crianças e bebés, o sono tem um impacto direto no crescimento, desenvolvimento, estado de saúde e até estabelecimento de relações, com os pais, por exemplo.  Sabe-se, atualmente, que o padrão de sono só está definido cerca dos 12 meses de vida do bebé e que é um processo individual. No entanto, existem muitos casos em que o sono da criança é demasiado fragmentado e desorganizado, o que, como descrito anteriormente, poderá trazer consequências no seu desenvolvimento e também forte impacto a nível familiar. Quando isto acontece, a procura de ajuda diferenciada torna-se fundamental para que se consiga restabelecer um saudável padrão de sono e prevenir ou minimizar as consequências que daí podem advir. 

No 1º mês de vida, por exemplo, é expectável que o bebé durma entre 16 a 20 horas em cada 24h. No entanto, pela imaturidade do seu sistema nervoso, o bebé ainda não consegue regular os seus ciclos de sono, nem diferenciar o ritmo circadiano (dia/noite), pelo que os seus períodos de sono podem ser curtos e o padrão é semelhante quer seja dia ou noite.

Só à medida que vai crescendo, é que o bebé vai começando a adaptar-se ao ritmo circadiano, o que ocorre cerca dos 3 meses de vida, embora, nesta fase, seja normal despertar cerca de 4 a 5 vezes durante a noite, muitas vezes até para mamar. É com o crescimento que a criança vai também diminuindo o número de horas de sono diárias, conseguindo fazer ciclos maiores durante a noite e repartindo em sestas durante o dia.

Entre os 6 e os 12 meses é expectável que um lactente durma entre 12 a 16h diários.  Assim sendo, não é expectável fisiologicamente, nem deve ser expectativa dos pais, que um bebé durma durante toda a noite na fase de recém-nascido ou mesmo com alguns meses de vida.  Por outro lado, a fase de desenvolvimento em que a criança se encontra também é preditiva relativamente ao padrão de sono.

Cerca dos 9 meses, por exemplo, as crianças passam pela angústia da separação do seu cuidador. Este pode ser um fator que, temporariamente, poderá condicionar e até mesmo causar alguma regressão no padrão de sono da criança. O mesmo acontece na fase dos pesadelos/terrores noturnos, que ocorre geralmente entre os 2 e os 4 anos de idade. Desta forma, cabe aos cuidadores, conseguir identificar possíveis alterações não esperadas e procurar ajuda diferenciada. 

Condições de segurança para o sono do bebé

Ao longo dos anos, as orientações relativas às condições de segurança do sono infantil têm sofrido várias alterações, à custa dos números de mortes com causa atribuível ao sono.  Assim, e segundo a Academia Americana de Pediatria, são consideradas condições de segurança:

  • Bebé a dormir de barriga para cima
  • Berço sem elevação da cabeceira (mesmo em situações de refluxo. Segundo a Academia Americana de Pediatria, o risco de engasgamento não aumenta de barriga para cima uma vez que a traqueia fica acima do esófago e qualquer regurgitamento teria de trabalhar contra gravidade como demostrado na imagem abaixo)

Engasgamento sono

Fonte: Mortes infantis relacionadas ao sono: recomendações atualizadas de 2022 para reduzir mortes infantis no ambiente de sono
  • Colchão firme e berço livre de ninhos ou objetos
  • Compartilhamento do quarto dos pais, até pelo menos aos 6 meses de vida, idealmente até aos 12 meses, evitando o compartilhamento da cama. Em caso de acontecer esse compartilhamento de cama com os pais por motivos superiores (bebé que não descansa no berço, bebé doente ou outra situação), aconselha-se o apoio profissional para conhecerem as condições de segurança ideais.

Fonte: Mortes infantis relacionadas ao sono: recomendações atualizadas de 2022 para reduzir mortes infantis no ambiente de sono
  • Evitar o sobreaquecimento do bebé
  • Vestir o bebé com mais camadas de roupa em detrimento de cobertores ou edredons. 

Estas são as principais recomendações sobre o sono seguro, não obstante que em caso de dúvidas é sempre preferível procurar ajuda evitando possíveis consequências graves.  Neste dia mundial do sono, o mais importante é passar-vos que todo o ser humano precisa de um sono reparador, o qual influencia todo o seu bem-estar. Crianças que despertam várias vezes por noite não têm um sono reparador, mas o seu cuidador também não e isso impacta em grande escala o dia-a-dia de todos.

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