Desmame respeitador: sinto que é a fase certa!

Desmame respeitador: sinto que é a fase certa!

Fev 6, 2024

Quando decidi que a fase de desmamar a Leonor estava próxima, sempre quis que fosse um desmame respeitador. Queria respeitar a minha filha, mas queria muito respeitar-me a mim. E hoje, 24 dias depois do desmame da minha filha, sinto que tive várias alturas em que não me respeitei.

Este artigo é muito pessoal e retrata o nosso percurso de quase 1 ano a preparar um desmame. Não deixo de ter o apoio, no final, dos elementos da equipa SOSMAMÃ que são formados e apoiam famílias em fase de desmame.

A Leonor é segunda filha. Quando engravidei tinha o João Maria 16 meses. No caso dele, foi ele quem decidiu desmamar, por volta dos seus 19 meses, praticamente de um dia para o outro. Na altura chorei imenso, não sentia que estivesse preparada para a decisão do meu bebé. Deixei-vos essa experiência neste artigo.

Desta vez foi diferente. Sabia que a Leonor podia ser a minha última filha. Nos segundos filhos também somos mais práticos ainda e há coisas que deixam de nos fazer confusão.

A falta de descanso

Este foi o grande motivo de tudo começar: a falta de descanso que comecei a sentir. Com consequente falta de apetite, perda de peso e cansaço mental.

A Leonor sempre adormeceu na maminha e eu fui muito feliz assim. Adquirimos desde cedo um cadeirão super confortável onde a amamentava no seu quartinho e a colocava a dormir. Enquanto fomos as duas felizes neste caminho, tudo ok! Mas ao contrário do irmão, a Leonor teve vários despertares noturnos nos primeiros 2 anos de vida. Na verdade, a partir dos seus 16/17 meses começou a fazer-me muita confusão não conseguir dormir mais horas seguidas e só a maminha a acalmar no período noturno.

Eu não dormia! Quando começava a pegar no sono lá estava ela a acordar de novo e a chamar por mim!

Foi nessa altura que começámos a preparar a nossa bebé para ser o pai a deita-la. Mamava na sala, com todos nós, mas passou a ser o pai a fazer a transição sala-quarto-cama. No início ela não achou muita piada, queria-me a mim claro. Sempre que chorava eu ia deita-la. E rapidamente ganhou confiança no adormecer com o pai por perto.

O início da fase de desmame

Há autores que descrevem que o desmame começa na mente da mãe e nos preparativos que estão por trás dessa fase. Connosco foi assim. Comecei a sentir-me exausta e a pensar no desmame ainda a Leonor não tinha 2 anos. E comecei a tentar perceber quando era a fase ideal para começarmos o desmame.

Comecei por dar maminha unicamente ao levantar e ao deitar, salvo os dias em que passávamos muito tempo juntas ou ela estava doentinha e queria, claramente, o conforto da maminha. E fui tão feliz nestes momentos! Só eu lhe dava o conforto total em situação de doença, de irritabilidade, de necessidade de carinho extra. E durante todo este tempo chamou a maminha de “mimi”…

Um processo demorado

Um desmame respeitador pode demorar até cerca de 1 ano segundo tantos autores credíveis. É preciso perceber os motivos que estão por trás e a fase em que o bebé se encontra. Partindo daí, cada família vai encontrar a melhor fase na sua vida para o desmame acontecer:

  • O motivo prende-se com uma situação de doença? Questão física? Mental?
  • A fase em que o bebé se encontra é a fase ideal para iniciar o desmame?
  • Procurei ajuda? Além disso, adaptei as estratégias ao meu bebé e a mim mesma?

Foi neste último ponto que sinto que falhei. Não pedi logo ajuda. E tenho na equipa profissionais habilitados e formados nesta área do desmame respeitador, mas não quis chatear. Andreia a ser Andreia.

Começou o desmame de verdade

Depois que preparei tudo, a fase de desmame começou de verdade tinha a Leonor 25 meses. Já o pai a deitava na caminha e a conseguia acalmar com os seus miminhos também em período noturno.

Num certo dia a Leonor trincou-me acidentalmente a maminha esquerda. Magoou-me e fez sangue. Assim senti que tinha chegado o dia: é agora! Peguei num penso e mostrei-lhe que tinha a maminha magoada. Tínhamos de colocar um penso e a Nonô não podia mamar naquele dia.

Passaram 36h sem me pedir maminha. Achei que estava a correr bem. Até que começou a mostrar sinais de ansiedade, nervosismo acima do normal e não consegui continuar aquele caminho. Percebi logo que não estava certa! Até porque já não tinha ferida, sentia-me bem e estava a mentir à minha bebé.

Procurar ajuda

É aqui que digo que procurar ajuda é fulcral. Só profissionais entendidos na matéria podem definir connosco as melhores estratégias para que o desmame seja respeitador e ninguém se sinta ferido no meio de uma fase tão complexa.

De acordo com a nossa colega Claudia Beirante, enfermeira especialista em saúde materna e obstetrícia e concelheira internacional de lactação (IBCLC) eu precisava de:

  • definir o melhor timming para mim e para o meu bebé: notoriamente eu estava no meu limite psicológico e até fisico! A minha bebé não mostrava necessidade de desmamar, pelo contrário, mas também não estava a passar por nenhum momento de mudança que impossibilitasse iniciarmos o processo;
  • pensar em atividades lúdicas que pudessem substituir os períodos de mamada (atividades lúdicas e respeitadoras);
  • Não trocar bruscamente a pessoa que já cumpria o ritual com o bebé: se era eu que amamentava na sala antes da Leonor ir dormir, então ser eu a criar atividades lúdicas com ela.

Consegui!

Consegui! E sinto que cumpri o meu dever. Culpei-me muito durante o processo, mas cheguei a uma fase em que verdadeiramente respeitei a minha bebé. Não deixei, finalmente, de me respeitar a mim e ao meu timming. Eu não estava bem, o meu corpo não estava bem e dava-me sinais de urgência em parar.

Finalmente consegui adaptar estratégias. O mano mais velho ajudou muito, porque gosta de ser o professor de todos cá em casa e de ensinar a mana a “ler”, a “escrever”, a pintar. E o pai foi e é sempre o nosso braço direito (e às vezes o esquerdo e as pernas).

E jeito de conclusão, quero dizer-vos que esta é apenas a nossa história. O nosso caminho. Vale o que vale porque todos nós erramos e eu sou uma mãe real, que erra. Cada uma de vós não deve nunca culpar-se seja qual for o vosso caminho e a vossa decisão. Mas por favor peçam ajuda! Não se sintam sozinhas.

Deixamo-vos contacto SOSMAMÃ para marcação de apoio com a Enfermeira Claudia Beirante (online ou presencial), especialista também nesta fase específica de desmame respeitador: whatsapp 917888736.

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