A recusa da refeição: 15 dicas que vão ajudar o bebé, a criança e a família

A recusa da refeição: 15 dicas que vão ajudar o bebé, a criança e a família

Out 7, 2021

Assumir que estamos a errar não me parece ser o adequado. Porque cada mãe e pai deseja e faz o melhor possível pelos seus filhos. Claramente que, quando as coisas não acontecem como tínhamos imaginado, a primeira tendência é desvalorizarmo-nos a nós próprios; culparmo-nos como pais. Mas atenção! Todos erramos nesta jornada desafiante que é a maternidade e a paternidade. No final, todos fazemos o melhor que conseguimos!

O momento da refeição é uma preocupação para muitas famílias

Em primeiro lugar tenho de vos dizer que é geral a preocupação quando se aproxima a fase de introdução alimentar: uns porque percebem que o seu filho está a crescer, outros porque vêem nesta fase mais uma dificuldade. Afinal de contas voltamos a não ter controlo em tudo o que desejaríamos. Aliado ao facto de ansiarmos que o bebé goste dos alimentos que com tanto carinho lhe preparámos!

É aqui que se torna imprescindível não esquecermos que PARA O BEBÉ É MESMO TUDO NOVO e ELE PRECISA DE TEMPO para:

  • saborear os novos alimentos;
  • se adaptar às novas texturas;
  • perceber as sensações que cada alimento lhe confere;
  • se adaptar à colher;
  • se ambientar à cadeira de refeição;
  • apreender o momento em si como uma rotina importante do dia-a-dia em família.

Passada esta fase, haverão sempre circunstâncias em que o bebé não vai querer comer toda a quantidade que os pais lhe colocam à frente. Isto pode acontecer por 4 principais razões:

  • comeu mais quantidade nalguma das refeições anteriores;
  • dormiu pior, sente-se mais cansado e não tem vontade de comer;
  • houve alguma alteração específica à rotina que lhe possa ter conferido menos apetite;
  • está doente e o apetite, claramente será inferior…

Que dicas importantes quando o nosso filho recusa a refeição?

Na fase de introdução alimentar

DAR TEMPO

Para que o bebé se habitue ao paladar e à textura de novos alimentos, à cadeira de refeição, à colher e ao momento em si. PRECISAMOS DE NOS COLOCAR NO LUGAR DO BEBÉ, aquele ser que só conhece, até ao momento, o sabor e a textura do leitinho 😍

SE NECESSÁRIO, SUPLEMENTAR

Se hoje não quer mais, não vamos obrigar! Podemos sempre suplementar com leite materno ou artificial. Nesta fase inicial em que o bebé ainda não conhece os alimentos e o próprio momento da refeição, faz todo o sentido suplementar com leitinho e garantir que não fica com fome.

PRIVILEGIAR ALIMENTOS COM PALADAR MAIS ADOCIDADO

Pode ser uma opção viável em bebés cuja aceitação está a ser mais demorada. Alimentos com paladar adocicado não são alimentos em que lhes adicionamos açúcar! Mas sim, por exemplo, legumes mais adocicados: bróculos, feijão verde, abóbora ou batata doce.

NÃO PRESUMIR QUE O BEBÉ NÃO GOSTA

Podem ser necessárias 10 a 15 tentativas até que o bebé o aceite um novo alimento: “a recusa inicial de um alimento novo não deve levar à tentação de não o colocar no prato (…) a criança nesta idade aprende mais facilmente através do jogo e da imitação” (British Nutrition Foundation, 2018).

NÃO OBRIGAR!

Persistir, manter a apresentação dos alimentos diariamente ao bebé, mas com tranquilidade e sem obrigar. Toda a atitude de obrigação fará com que o bebé se sinta pressionado e não veja na refeição um momento feliz: “o ideal será respeitar o apetite da criança, centrando a oferta na variedade e na qualidade (…) não forçando a ingestão” (British Nutrition Foundation, 2018).

DAR O EXEMPLO

Desde pequeninos é fundamental, enquanto pais, darmos o exemplo aos nossos filhos: no nosso prato deve existir variedade e qualidade alimentar. Não podemos obrigar o nosso filho a comer sopa ou legumes se do nosso prato não fazem parte esses alimentos!

É nos principais cuidadores que está o exemplo! E à medida que o tempo passa, cada vez mais os pequenos nos desejam imitar em tudo 😛

PROMOVER A AUTONOMIA À MESA

O finger food (alimentar-se com as mãos) tem a grande vantagem de proporcionar ao bebé uma experimentação de texturas e paladares diferentes e, com elas, o despertar dos vários sentidos:

Já tentaram comer os alimentos isoladamente na vez de os comerem triturados num puré de legumes? O sabor, a textura e até o cheiro são diferentes! Porque cada alimento é único e deve ser experimentado por si só, isoladamente!

O finger food dá essa possibilidade ao bebé. É fundamental à autonomia do bebé e, desta forma, o bebé pode partilhar a refeição com os pais e o aproveitar o momento da refeição, de forma saudável e feliz.

O bebé que se alimenta com as mãos não o fará para sempre! Até porque, à medida que cresce, mais deseja imitar o comportamento do(s) cuidador (es) e, com isso, utilizar talheres.

TÊM MEDO DESTA FASE QUE CONSIDERAM PERIGOSA PELO RISCO DE ENGASGAMENTO? TENHO O WORKSHOP CERTO PARA VOCÊS: workshop “desengasgamento em bebés: segurança na oferta alimentar” todos os meses com 2 datas possíveis e a 25€ por casal (vê tudo neste link)

Daí em diante, a criança pode ter momentos de recusa de determinado alimento ou refeição

E isso é normal!

No fundo…

COLOCARMO-NOS NO LUGAR DO BEBÉ

Em tudo! Não podemos desejar que o bebé, de um momento para o outro, aprenda um determinado comportamento: desde alimentar-se, gatinhar, andar, lavar-se, falar… Para tudo temos de dar tempo e ter muita paciência! E isso aprendemos aos poucos com os nossos filhos ❤️

E na criança maior?

Para além da importância de darmos o exemplo, não obrigarmos e persistirmos na oferta de alimentos com variedade e paciência, o que devemos fazer para que sejam crianças felizes à mesa?

EVITAR MOSTRAR ANSIEDADE

A ansiedade no cuidador é um dos principais fatores que leva as crianças a recusar a alimentação oferecida.

SELECIONAR A HORA CERTA PARA A REFEIÇÃO

Crianças com fome mais facilmente aceitarão os alimentos oferecidos. Devemos, pois, oferecer alimentos à criança com intervalo mínimo de:

  • 1,5h a 2h, se a refeição anterior foi uma merenda;
  • 2,5h a 3h, se a refeição anterior foi uma refeição principal (almoço ou jantar).

SER ASSERTIVO NA NÃO NEGOCIAÇÃO

Não trocar os alimentos oferecidos por outros que sejam preferidos pela criança, como papas, bolos ou bolachas.

SER CRIATIVO NA OFERTA DE ALIMENTOS

Dar asas à imaginação e fazer uns jogos de alimentos no prato (como apresentado na imagem acima, da banana com cabelo 😛

PLANEAR EMENTAS SEMANAIS, EM CONJUNTO COM A CRIANÇA

Fazer ementas semanais além de nos facilitar a organização semanal, permite que a criança colabore na seleção das refeições, consciencializando-se para a variedade que existirá no prato durante a semana.

ENVOLVER A CRIANÇA NA PREPARAÇÃO DOS ALIMENTOS

É fundamental e eles adoram! Permitir que se sujem ao “meter a mão” nos alimentos é muito importante e motivante 😋

TER CONSCIÊNCIA QUE O QUE RESULTA NUMA CRIANÇA PODE NÃO RESULTAR NA OUTRA: cada criança é única!

Sem dúvida que no final cada criança é única e especial! Temos de nos adaptar e todo este processo é uma aprendizagem para a criança e para a família.

Com o apoio da fonte: DGS, 2019

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