Analgésicos e antipiréticos em Pediatria – quando, como e porquê?

Analgésicos e antipiréticos em Pediatria – quando, como e porquê?

Out 1, 2021

Medicação em pediatria: Quando? Como? Porquê? Das maiores dúvidas de pais e mães. O medo de dar um medicamento a um filho é algo usual, mas também muito importante. É o medo que desperta maior atenção e cuidado por parte dos pais na administração de qualquer medicamento ao seu filho, revelando responsabilidade no cuidado ao bebé :) Já vos tinha dito que além de mães, passamos a ser enfermeiras, farmacêuticas e tantas outras profissões? ;) Decidir dar um analgésico/antipirético ao bebé implica, antes de mais, conhecimento relativamente às indicações do medicamento e ao modo correto de administração. Informações habitualmente descritas na bula dos medicamentos, a consultar sempre antes da primeira administração. ANALGÉSICO = medicamento para controlar a dor/desconforto. Naqueles dias em que o bebé está notoriamente desconfortável, seja porque tem dor e as medidas implementadas não estão a ser suficientes (consultar artigo «O bebé com cólicas. Como aliviar?») ou porque foi dia de vacina e o bebé se mostra desconfortável; ANTIPIRÉTICO = medicamento para baixar a temperatura corporal, em caso de febre (consultar o artigo «febre: sinais de alarme»).

Os analgésicos/antipiréticos mais frequentes e cuja receita médica não é necessária para serem comprados na farmácia são o Paracetamol (benuron) e o Ibuprofeno (brufen / trifene / iburon).

O Paracetamol é, pois, aquele que é recomendado como sendo o analgésico/antipirético de primeira linha. Deve ser o primeiro a dar ao bebé. Só em caso deste não ser suficiente na melhoria da dor ou no controlo da febre é que deve ser dado Ibuprofeno em horário desfazado, que explico mais à frente. A forma preferencial de administração é o xarope, dado que a dose que é dada corresponde o mais próximo possível à real necessidade do bebé. Podemos guardar o supositório para os casos de intolerância oral (quando o bebé está a vomitar). Faz-vos sentido? É isso que têm optado por fazer com o vosso bebé?

QUAL A DOSE E EFEITO ESPERADO DE PARACETAMOL E DE IBUPROFENO PARA O MEU FILHO?

Seja na forma de xarope ou de supositório, é importante consultar a bula de cada medicamento que contempla a dose adequada conforme o peso do bebé. O efeito não é imediato! Espera-se que o medicamento administrado comece a fazer efeito ao fim de cerca de 45 minutos de ter sido dado ao bebé.

COMO ALTERNAR PARACETAMOL E IBUPROFENO?

A conjugação de Paracetamol e Ibuprofeno é, muitas vezes, necessária. Especialmente quando o bebé tem febre e o intervalo entre os picos febris é muito curto. A retêr: Em primeiro lugar, dar sempre Paracetamol; Aguardar pelo menos 45 minutos para verificar o efeito do medicamento Em caso de dor, ao fim de 45 minutos, começam a notar-se melhorias no bebé e este consegue descansar, melhora ligeiramente o estado geral e, possivelmente o apetite (frequentemente alterado quando o bebé tem dor); Em caso de febre, ao fim de 45 minutos espera-se diminuição gradual da temperatura corporal (é natural que, se o primeiro valor verificado foi, por exemplo 38,5ºC retal, dentro de 45 minutos a criança ainda tem 39ºC e somente cerca de 90 a 120 minutos depois, se verificam 37,5ºC/38ºC). Pode ser dado ao bebé Ibuprofeno após 3h a 4h de ter sido dado Paracetamol, em caso de novo pico febril; Pode ser dado ao bebé Paracetamol de novo 3h a 4h após ter sido dado Ibuprofeno (desde que, entre cada Paracetamol perfaçam, pelo menos, 6h).

Este é um assunto muito importante e de grande responsabilidade. Independentemende de seguirem as orientações, relembro a importância de conhecerem os sinais de alarme e, em caso de dúvida, contactarem a linha Saúde 24 (808242424) ou dirigirem-se ao centro de saúde da vossa área de residência / urgência hospitalar do vosso hospital de referência.

Já consultaram o artigo «Critérios de ida à urgência hospitalar»?  É um artigo onde vos explico também, quando ir ao centro de saúde, evitando o entupimento das urgências hospitalares com os chamados casos “menos urgentes”.
Ficaram com dúvidas? Deixem nos comentários. Até já :)

2 Comments

  1. Nuno Silva

    Ola Enfermeira Andreia.
    As páginas dos artigos “Critérios de ida à urgência hospitalar» e «febre: sinais de alarme”» não estão a funcionar.
    Gostaria muito de as ler. Obrigado

    Reply
    • Enf Andreia

      Olá Nuno, já corrigi o problema, confirme por favor se consegue aceder :)
      Um beijinho,
      Andreia

      Reply

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado.

× Podemos ajudar?