Creche, ama ou avós? 5 fatores que influenciam a decisão dos papás

Creche, ama ou avós? 5 fatores que influenciam a decisão dos papás

Ago 19, 2021

Que boa pergunta! Não há recomendação científica para vos dar. Há de tudo um pouco. Mas há, sem dúvida, fatores comuns a qualquer uma das decisões na altura de optar por um local onde deixar o bebé:

A questão económica
  • A creche pode ser privada ou IPSS (valor mensal definido com base nos rendimentos do casal);
  • A ama tem, habitualmente, várias opções, nomeadamente:
    • valor/dia para os casais que não precisam de deixar o bebé todos os dias;
    • valor/mensal para os casais aos quais compensa esta opção dado o bebé necessitar de ficar mais vezes na ama
  • Deixar o bebé com os avós é o mais económico possível.
O receio do bebé ficar doente
  • Todos sabemos que na creche a prevalência de infeções cruzadas é alta e que, inicialmente, o bebé tende a ser mais frágil imunitariamente. Isto leva a que, quando o bebé fica doente tenha automaticamente de ficar em casa para evitar contágio a outras crianças. É frequente, também, na altura em que a criança já pode regressar à creche, ser solicitado documento do médico em como o bebé pode regressar ao estabelecimento;
  • Na ama, além da quantidade de crianças ser mais reduzida, o risco habitualmente é menor por isso mesmo. Há ainda amas que autorizam os pais a levar o bebé mesmo doente, sendo elas mesmas quem medica em caso de necessidade;

No que diz respeito à altura pandémica que atravessamos, a DGS criou uma orientação para as creches e amas no que respeita a medidas de controlo e prevenção da infeção. Podem aceder a essa orientação neste link

DGS, 2020
  • Com os avós essa questão não se coloca, até porque se o bebé ficar doente facilmente o avô ou a avó cuida do neto.
A localização
  • Nem sempre há creches acessíveis aos casais, o que impossibilita, em muitos casos esta decisão;
  • A existência de amas é mais frequente em praticamente todas as localidades;
  • Há ainda a questão dos avós: ainda temos muitos casos de casais distantes dos avós, o que lhes impossibilita deixar os seus filhos com os mesmos.
A confiança, o medo, a preocupação
  • A creche, todos sabemos que tem educador e assistentes operacionais devidamente habilitados para a função. Têm formação específica para várias áreas direcionadas à pediatria, o que é motivo de tranquilização nos pais. Contudo, o maior medo e preocupação inerentes a deixar um filho na creche é a propagação da infeção: o medo que os filhos fiquem doentes é superior a qualquer outro. E leva muitos pais a optar pela ama ou por deixar os filhos com os avós;
  • A questão da ama tem várias vertentes:
    • Se for uma pessoa de confiança dos pais, mostra-se uma excelente opção;
    • Se não há certezas relativamente à pessoa com quem se deixam os filhos, a preocupação e angústia por vezes é aumentada, o que destabiliza o dia-a-dia do casal
  • Os avós transmitem confiança e tranquilização, sobretudo se forem “aqueles” avós. Habitualmente o elemento do casal que sofre mais com este assunto é a mãe, sobretudo se deixa o seu filho com os avós paternos. Deixar o nosso filho com a nossa mãe é sempre mais tranquilizador. Claro que existem casos de grande confiança dos pais nos avós o que se torna positivo para todos.
O desenvolvimento do bebé/criança

Pelos motivos anteriormente citados, claramente nos apercebemos das vantagens da creche no desenvolvimento da criança:

  • Pela estimulação diária, no contacto com educadores, auxiliares e outras crianças;
  • Pela partilha de brinquedos e bens pessoais;
  • Pela noção da regra e da importância da rotina semanal.

Ainda assim, não faltam crianças que viveram grande parte da sua infância com os avós ou em amas e não é por isso que não se desenvolveram e cresceram felizes! O nosso caso mostra isso mesmo:

No meu caso em particular, até aos meus 5 anos vivi entre a casa dos meus pais e a casa da minha querida avó materna. Tenho memórias incríveis com a minha avó. Mas confesso-vos que ela nunca foi muito interessada em brincadeiras específicas comigo. Levava-me a passear, enquanto passeava o cão, ia buscar-me à escola, mas as brincadeiras eram na rua, com as outras crianças. Algo que hoje se vê tão pouco…

Já o João Maria, assim que engravidámos planeámos como seria. Desejávamos que fosse para a creche quando fizesse 1 ano. Primeiro porque a única pessoa que podia ficar com ele seria uma tia avó com 75 anos e não seria nosso desejo cansá-la ainda mais; depois porque tendo uma possibilidade ao lado de casa de uma IPSS onde deixar o nosso bebé, fazia todo o sentido apostar nisso. Com a pandemia, mudaram os nossos planos, tendo sido essencial deixar o pequeno aos 9 meses na creche. Foi a melhor decisão que tomámos…

Aos 9 meses o João Maria já gatinhava e é uma criança muito ativa. Seria difícil para a tia-avó ficar com ele tantos dias seguidos. A creche veio ajudar ainda mais no seu desenvolvimento. Ajudou igualmente na fase da ansiedade da separação. Sempre optei por me despedir do meu bebé, eu ou o pai (quem o leva à creche), para que saiba que voltamos assim que pudermos; mentir não está nos nossos planos. Parece-nos que essa opção é facilitadora. O nosso bebé já sabe que é para ficar, despede-se de nós com um sorriso e recebe-nos, quando o vamos buscar, sempre com boa disposição.

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