Desmamar o bebé: um processo inesperado mas necessário para a mãe

Desmamar o bebé: um processo inesperado mas necessário para a mãe

Jun 21, 2021

Este titulo diz tudo. Sem dúvida que encaro o desmame hoje de forma completamente diferente. Encaro sobretudo como um processo. E o nosso foi completamente inesperado. Jamais imaginaria que seria eu a responsável pelo desmame do João Maria. Sempre idealizei deixar de amamentar quando fizesse sentido para o meu filho; nunca imaginei que tivesse de o fazer por minha necessidade.

Mas assim foi… E como nem sempre as coisas são como idealizamos, precisei de passar por um luto de toda esta situação. Para muitos pode parecer estúpido, mas a verdade é que este era dos melhores momentos que tínhamos juntos, mãe e filho; um momento verdadeiramente nosso, que ambos amávamos. Foi por isso que ainda me custou mais!

Passei 2 meses a culpar-me por ter sido por minha culpa este desmame. Depois comecei a perceber que talvez não fosse assim. Talvez fosse necessário desmamar o meu bebé mesmo porque eu não estava bem. E eu sempre soube que a amamentação só faz sentido quando os dois estamos bem: mãe e filho. De outra forma, não consigo aceitar que faça sentido. Até porque o bebé sente perfeitamente quando a sua mãe não está bem em todo aquele momento.

Esse motivo ajudou-me a ultrapassar a situação. Comecei a perceber que o João Maria sentia exatamente que eu já não estava bem naquele momento.

O desconforto, a dor

Descobri a minha gravidez em Março e em meados de Abril começou o desconforto físico. Os mamilos cada vez mais sensíveis levavam-me a sentir verdadeiro desconforto quando o João Maria sugava o leitinho. Meu Deus, que sensação difícil! Inicialmente procurei tolerar. Pensei “isto é só uma fase” e isso fazia-me acreditar que o desconforto iria passar.

Mas houve um dia que até chorei depois de deitar o meu bebé. Senti verdadeiro desconforto e necessidade que ele parasse. Estava a tornar-se um sacrifício e eu não queria isso! “Caramba, isto é suposto ser prazeroso para mãe e filho. Estou parva?”

Parei. Chorei. Dormi. E no dia seguinte conversei com o João, meu namorado e companheiro, pai do meu bebé. Claro que ele me disse que não fazia sentido continuar a sentir-me assim. E não vale a pena dizer-vos que esse apoio foi fundamental!

O processo

Inesperado ou não, este processo era necessário e eu já me tinha mentalizado disso. Na verdade, sabia que talvez fosse fácil, já que o João Maria já só mamava praticamente 2 vezes ao dia: ao acordar e ao deitar.

Começámos calmamente por alterar os dois principais hábitos inerentes aos dois grandes momentos de amamentação:

  • O acordar sempre foi igual: o nosso filho chama-nos e um de nós vai buscá-lo à sua caminha para vir para junto de nós (um miminho único); na caminha, já connosco, mamava pela primeira vez no dia. Então, começámos por, assim que acordava, levá-lo para a sala, brincar um bocadinho e dar o pequeno-almoço (que habitualmente é panquecas ou pãozinho); passou a beber leite de vaca gordo ao pequeno-almoço (o leite recomendado a partir dos 12 meses, gordo pela quantidade de gordura fulcral ao desenvolvimento cerebral de crianças até aos 24 meses;
  • O deitar era sempre um momento entre mãe e filho: eu amamentava o João Maria já no seu quarto, lavava-lhe os dentinhos e deitava-o; depois dele se ambientar às rotinas diferentes de acordar, passámos às alterações no deitar e quem passou a deitar o nosso bebé foi o pai.

Fizemo-lo com a maior tranquilidade possível e isso levou o nosso filho a levar o processo tranquilamente também. E na realidade durou 2 semanas até que pudéssemos voltar às nossas rotinas de princípio e final de dia, sem que o João Maria sentisse falta da maminha.

O luto

Não consegui trazer este tema antes, acho que porque nunca fui capaz de escrever sobre ele. Sabia que quando ultrapassasse melhor tudo isto seria capaz de vos contar, de trazer um bocadinho desta nossa vivência e, mesmo sem base científica, contribuir de alguma forma para que mais mães se sintam menos culpadas quando têm de desistir de amamentar.

Amamentar não nos torna melhores. Mesmo sendo profissional de saúde e sabendo que o leite materno é o melhor para cada bebé, também sei que a nossa saúde mental é fundamental e que se uma mulher não está bem na amamentação, então não deve culpar-se por isso. Pedir ajuda sim, é fundamental, sobretudo quando se deseja tanto amamentar e algo o está a impedir; mas nem sempre se consegue manter este caminho e a culpabilização não leva a lado nenhum!

Hoje, passados 2 meses do início do desmame, o nosso filho mostra-nos ser um bebé feliz e saudável e isso é o melhor do Mundo. Como vai ser daqui em diante? Não sei! Deixei de fazer grandes planos e prefiro viver um dia de cada vez, acreditando que o melhor é vivermos o dia-a-dia com amor e menos complicação.

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