O meu bebé tem refluxo! 7 dicas úteis para o alívio dos sintomas

O meu bebé tem refluxo! 7 dicas úteis para o alívio dos sintomas

Dez 9, 2020

O tema deste artigo já foi pedido por muitos de vós há algum tempo. Hoje é o dia de falar de refluxo gastroesofágico fisiológico (ou benigno) e de descomplicar, convosco, um assunto que se torna motivo de preocupação acrescida em muitos papás e suas famílias.

A meu ver falta ensino aos pais: falta-lhes perceber que o refluxo gastroesofágico na maioria dos casos não é uma situação patológica e reverte ao fim do 1º ano de vida.

O que é o refluxo gastroesofágico?

O refluxo gastroesofágico fisiológico/benigno não é mais do que a passagem do conteúdo do estômago para o esófago do bebé, podendo ou não desencadear vómito. A imaturidade no tubo digestivo do bebé é, geralmente, o motivo do refluxo em bebés até aos 3 meses de idade.

É uma situação benigna e comum no bebé até 1 ano de idade, particularmente frequente após as refeições, podendo ocorrer várias vezes ao dia. No refluxo gastroesofágico benigno não se verifica comprometimento no crescimento do bebé nem outro tipo de complicações que coloquem em causa a qualidade de vida do bebé.

Habitualmente nota-se melhoria sintomática ao 6º mês de vida, coincidente com a fase de introdução alimentar e posição mais ereta do bebé. Regride, com frequência, no final do 1º ou 2º ano de vida do bebé.

Regurgitar é diferente de vomitar

O que é afinal regurgitar? É sinónimo de vomitar? Como distinguir?

Ambas podem existir no refluxo gastroesofágico, mas com manifestações diferentes: a regurgitação é entendida como um reflexo involuntário de passagem do conteúdo do estômago até à boca, que por vezes pode ser expelido para o exterior, mas não necessariamente sob a forma de vómito. Vómito é uma situação coordenada com expulsão forçada do conteúdo do estômago, geralmente em jato.

Como distinguir o refluxo gastroesofágico fisiológico da doença do refluxo gastrosofágico?

Traduzido por miúdos: quando é que o refluxo se torna uma situação preocupante?

Habitualmente assume-se doença do refluxo gastroesofágico quando não há melhoria das situações de refluxo mesmo após os 12 meses de vida e se associam outras complicações no bebé, sejam elas digestivas ou associadas a outros sistemas. É sempre necessário um exame clínico criterioso, para que o profissional de saúde diagnostique a doença do refluxo gastroesofágico.

A suspeita de doença do refluxo gastroesofágico é um dos principais motivos de referenciação pelo médico de família ou pelo pediatra à especialidade de gastroenterologia pediátrica.

Que sinais de alarme no refluxo gastroesofágico?

Como explicado até aqui, não se esperam complicações associadas às situações de refluxo, nem o prolongamento destas situações para além dos 12-18 meses de vida do bebé. Desta forma, devemos preocupar-nos quando:

  • as situações de refluxo se prolongam para além dos 12 meses de vida do bebé;
  • perda de peso;
  • recusa alimentar ou vómitos persistentes;
  • choro e irritabilidade mantidos e difíceis de consolar.

O que fazer se for identificada uma das situações anteriores?

O ideal será sempre consultar um pediatra.

Cada caso é um caso e cada bebé é um bebé. Mediante a situação particular de cada bebé podem ou não ser sugeridas medidas adicionais, cuja decisão depende sempre de um conjunto de aspetos a serem analisados pelo profissional de saúde de referência.

Aliviar sintomas: como?

A adoção da postura ereta e a ingestão de alimentos mais sólidos contribuem claramente para a frequência diminuida de casos de refluxo gastroesofágico. Mas não só! Vamos conhecer as principais medidas de alívio sintomático em bebés com refluxo?

Alimentar o bebé numa posição mais verticalizada

  • Seja no aleitamento materno, seja em aleitamento artificial, promover maior verticalização do bebé favorece a progressão do leite pelo tubo digestivo e menos risco de refluxo;

Colocar o bebé para arrotar

  • Em bebés muito sôfregos pode ser vantajoso interromper a mamada para promover a erucção e voltar, posteriormente à mamada;
  • Após a refeição, colocar o bebé para arrotar é sempre importante. Se não arrotar, não tem qualquer problema, até porque o bebé pode ter mamado bem, com pega perfeita, sem engolir ar e não precisando, dessa forma, de arrotar. Convém sim, em todos os bebés, garantir a medida seguinte:

Verticalizar o bebé 15 a 20 minutos após as refeições

  • Será importante todo o bebé ser verticalizado 15 a 20 minutos após a refeição (a mãe ou o pai podem recostar-se no sofá com o bebé, mantendo-o mais verticalizado e favorecendo a digestão);

Diminuir o volume de leite a oferecer ao bebé, aumentando a frequência das mamadas

  • Pode ser necessária a diminuição do volume de leite oferecido (em bebés sob aleitamento artificial) e o aumento da frequência das mamadas;
  • Mesmo em bebés amamentados, a oferta de leite em horário livre favorece o alívio sintomático em bebés com refluxo, uma vez que horários rígidos levam a que o bebé tenha sempre mais fome no momento da mamada, enchendo demasiado o estômago e aumentando a probabilidade de refluxo, pela pressão exercida no estômago.

Pode ser necessário o recurso a espessantes ou a leites anti-regurgitantes

  • A situação específica de cada criança deve ser valorizada e individualizada;
  • Este aconselhamento deve sempre ser feito pelo profissional de saúde que segue o bebé, porque o uso indescriminado de espessantes pode aumentar o risco de excesso de peso.

Atender ao tamanho da tetina

Em bebés sob aleitamento artificial, a tetina de tamanho acima do recomendado para a idade pode facilitar a entrada de ar, causando mais cólicas e favorecendo situações de refluxo. Deve, pois, ser selecionada uma tetina adequada ao crescimento e desenvolvimento de cada bebé.

Inclinação do colchão a 30º

  • 30º do colchão e não da cabeceira! Sobretudo em bebés com idade inferior a 6 meses, não se aconselha elevação da cabeceira mas sim, eventualmente, do berço completo. Alguns estudos comprovam que a elevação da cabeceira da cama a 30º pode favorecer o alívio sintomático, enquanto outros mostram ausência de resultados a este nível. Aguardar pelo aconselhamento do profissional de saúde que segue o bebé é sempre uma mais-valia.

Como tem sido aí por casa? Espero que este artigo te tenha sido muito útil . Conta-me tudo nos comentários😘

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