Introdução alimentar: como decidir a melhor abordagem?

Introdução alimentar: como decidir a melhor abordagem?

Nov 20, 2020

Quando temos um filho passamos verdadeiramente a ter o coração fora do peito. Aquilo que ouvimos antes de sermos pais é mesmo o que sentimos quando o somos na realidade. A vida muda, as prioridades alteram-se, o sentimento esgota-se por aquele ser pequenino. É agora que temos no mundo alguém que traduz a nossa continuidade 😍

Eu entusiasmo-me, fico sentimentalista ao falar de maternidade e paternidade ❤️

Primeiro vem o positivo na tira de teste, depois um conjunto de sensações (boas e más) durante aproximadamente 9 meses de gravidez. De seguida a preocupação com o re-começo da vida a 3. Apercebemo-nos, depois, que não é só um mar de rosas 🤔 Afinal de contas o bebé chora e nem sempre o percebemos! Só acalma, naturalmente, junto ao nosso peito, com o nosso cheiro e recordando as sensações in útero… E os dias passam a voar entre maminhas, colinho e muito amor 😍

Claramente que os dias vão passando, entre leitinho, colinho e amor… Para o fim da lista fica a introdução alimentar

“Só precisamos de pensar na introdução alimentar mais próximo do regresso ao trabalho”; “não preciso de me preocupar, afinal de contas o pediatra dá-me as orientações na altura“. Será assim? Será que não fazia sentido informarmo-nos, à priori, das possibilidades existentes? Lermos sobre o assunto, questionarmos os profissionais certos?

Pois é! Informação é poder como vos digo TODOS os dias 😛 Cada vez é mais importante os pais terem conhecimento das possibilidades existentes antes de iniciar a diversificação alimentar dos seus filhos. E antes não é no mês antes de começar; é mais cedo, idealmente na gravidez, quando ainda temos tempo para ler, pensar sobre o assunto e ponderar para melhor decidir😉

Quem me conhece sabe que sempre liguei muito à alimentação. Na minha vida, a preocupação sempre esteve em manter hábitos saudáveis, cuidar do meu corpo e da minha saúde. O gosto pela área alimentar fez-me cada vez querer saber mais sobre o assunto. E confesso-vos que sempre me preocupei muito com a alimentação, um dia, de um filho meu. Esse filho chegou, o meu João Maria e, com ele, um sem fim de preocupações, como todos vocês que são pais bem compreendem 😏

Sabiam que os hábitos alimentares nos primeiros 2 anos de vida ditam a qualidade de vida do vosso filho daí em diante?

Segundo a Direção Geral de Saúde (2019), os primeiros 2 anos são os mais importantes da nossa vida no que diz respeito à prevenção da doença. Portugal ocupa um lugar de topo na prevalência de obesidade infantil 😪 Precisamos de pensar nisto e atuar! É urgente mudarmos atitudes e comportamentos na cozinha, primeiro nós pais e depois, sim, com os nossos filhos.

Há algo que todos precisam de saber: os pais são o exemplo!

Digo isto regularmente nos cursos e workshops SOSMAMÃ: na cozinha devemos ter mesmo trabalho com os nossos filhos! Na preparação, na confeção e na oferta alimentar. Não podemos contentar-nos com fast-food, bolachas processadas, pizzas e hamburgueres pré-feitos. E também não podemos exigir que os nossos filhos comam sopa em todas as refeições se nõs não o fazemos! Não podemos exigir ter filhos saudáveis quando nós não comemos saudável!

De facto primeiro temos de ser nós a pensar na nossa saúde individual, a fazer escolhas saudáveis e benéficas para a nossa saúde. Depois, sim, estaremos aptos a dar o exemplo:

  • Mãe/pai: “Não se bebe sumo à refeição” (na mesa só há sumo, não há água no copo dos pais);
  • Filho: “Mas porque tenho de comer a sopa?” (os pais não têm sopa antes do prato principal);
  • Avó: “Come o peixe” (os avós não comem peixe).

Onde está o erro? Tudo começa no exemplo…😏

Que abordagem escolher para o nosso filho?

Essa é uma pergunta que vocês têm de fazer um ao outro enquanto casal, pensando no vosso filho e nas suas particularidades! Ninguém melhor que vocês conhece o vosso filho. Depois de informados de todas as possibilidades e benefícios, a decisão é vossa! Claro que o profissional de saúde que segue o vosso bebé deve ter uma palavra a dizer: um conselho, uma dica importante. Mas a abordagem, vocês selecionam a que consideram e se sintam preparados para iniciar 😛

Não se esqueçam: uma decisão consciente deve ter em consideração a informação mais pertinente e atualizada.

Trago-vos, durante o fim-de-semana, o artigo que vos ajuda a compreender cada uma das abordagens de diversificação alimentar: tradicional, baby-led weaning e mista, para que sejam detentores de ainda mais conhecimento e estruturem as vossas ideias relativamente ao bebé que têm em casa 😘

A nossa experiência

Este foi e continua a ser o nosso lema cá em casa: primar pelo exemplo. Queremos ser sempre o melhor exemplo para o nosso filho. Sobretudo por termos consciência que é aí que está uma das grandes bases do sucesso à mesa com bebés! Além disso, foi e continua a ser imprescindível darmos tempo e espaço ao João Maria para que aprenda, reconheça sabores, texturas, defina os seus gostos pessoais.

Nos cursos e workshops SOSMAMÃ aprendemos a perceber o nosso bebé e o quão é importante concedermos-lhe tempo e espaço em todas as fases da sua vida. A introdução alimentar é outra dessas fases e tem uma importância extrema!

Conhecermos o nosso filho permitiu que nos apercebessemos do momento certo para lhe dar alimentos para comer pela própria mão. Eu já tinha a experiência e me tinha inteirado suficientemente para saber que há imensas vantagens em “ser o bebé a escolher o que, quanto e como comer”! Mas também tenho a experiência profissional suficiente para concluir que esta abordagem não é possível em todas as famílias.

Acredito que em muitas famílias o problema está na falta de informação sobre o tema, mas também relacionado em parte com a resistência dos profissionais de saúde à abordagem em baby-led weaning. Já vamos tendo, cada vez mais famílias interessadas em aprender sobre o assunto e isso é um passo gigante no sucesso dos nossos bebés à mesa.

Cá em casa começámos aos 5 meses e 3 semanas a diversificação alimentar, por abordagem tradicional. Foi o melhor que fizémos por vários motivos (que vos explico no próximo artigo). Mas também sentimos que outra excelente opção que tomámos foi, aos 7 meses, quando o nosso filho nos mostrou competências para a nova fase, não hesitarmos em dar o passo seguinte: iniciar a abordagem mista. Foi esta fase que marcou o início de um dos melhores momentos que temos diariamente com o nosso filho: a refeição.

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