O impacto da Covid-19 na pediatria: como devem agir os cuidadores?

O impacto da Covid-19 na pediatria: como devem agir os cuidadores?

Out 25, 2020

O tema «pediatria» tem tanto de bom como de preocupante. Com o novo crescimento de infetados pelo vírus Sars-Cov2 em portugal, a preocupação é crescente na população. Mais ainda quando falamos de crianças. O medo e a ansiedade fazem parte da vida de todos nós.

Os números em Portugal e no Mundo

O contexto europeu mostra-nos dados muito favorecedores no que diz respeito à Covid-19 em idade pediátrica: a probabilidade de morte por covid-19 em crianças é de cerca de 1%. Na realidade, a sintomatologia em idade pediátrica é ligeira a moderada, o que favorece a rápida recuperação dos pequenos.

As crianças têm na sua grande maioria sintomas ligeiros da doença (semelhantes a sintomas de infeção respiratória e, em casos menos frequentes, sintomas gastrointestinais), com um número considerável de crianças sem sintomatologia associada ao vírus (são portadores mas não têm sintomas).

Em Portugal, um estudo do Hospital de Santa Maria, datado de Setembro de 2020 e publicado na Ata médica portuguesa mostrou-nos que 80% das crianças infetadas tiveram sintomas, com 20% a não revelar qualquer sintomatologia associada ao vírus. Importante será também referir que apenas 10% do total de infetados necessitou de internamento, um dos quais em unidade de cuidados intensivos mas sem ventilação invasiva.

Sabe-se que na China não houve qualquer morte em pediatria até ao momento. Em Portugal, as mortes existentes em pediatria, ocorreram em crianças de verdadeiros grupos de risco, com co-morbilidades graves e que, associadas ao vírus Sars-Cov2 causaram, infelizmente a sua morte.

Como devemos agir enquanto cuidadores?

Proteger ou não proteger?

Proteger. Não superproteger.

Sabermos que bebés e crianças não são o principal grupo afetado e que os sintomas são maioritariamente ligeiros, ajuda a tranquilizar os nossos corações. Cada vez que me lembro que todos os dias circulo entre um hospital e a minha casa, que o risco está tão aumentado no meu filho e, por sua vez, nas pessoas que nos são tão queridas e que conosco contactam diariamente, fico “doente”. Prefiro viver um dia de cada vez…😌

As crianças precisam de brincar. Precisam de andar na rua, de saltar, de correr, de pisar o chão, de brincar às escondidas, de abraçar outras crianças. As crianças precisam de vivenciar a infância. Impedi-las de sair de casa só terá graves consequências a médio-longo prazo.

Aliás, estamos a esquecer-nos das repercussões da falta de exercício físico? Idealmente todas as crianças deviam praticar entre 30 a 60 minutos de atividade física moderada por dia… Quantas crianças reduziram / anularam a atividade física do seu dia-a-dia?

Do mesmo modo, não nos estamos a lembrar das repercussões do aumento do uso de dispositivos digitais em crianças pois não? Que consequências na saúde mental? Que consequências na definição da personalidade? Já para não falar nos efeitos notórios no comportamento familiar

A ansiedade, o pânico e o stress dos cuidadores

Só vão dificultar as coisas. As crianças não vão perceber o alarmismo, vão ficar nervosas com uma situação que não conseguirão resolver: decerto isso vai repercutir-se no seu nível de sono e repouso, nas atividades do dia-a-dia e no seu estado psicológico.

Conciliar a tranquilidade com um olhar atento

Urge, portanto, manter a calma e a tranquilidade nesta fase. Pela nossa sanidade mental enquanto cuidadores, mas sobretudo pela garantia da tranquilidade desejável nas nossas crianças. Queremos acima de tudo crianças seguras e tranquilas.

A importância das medidas de controlo de infeção

  • Manter higienização frequente das mãos e de superfícies;
  • Manter isolamento social;
  • Evitar ao máximo junções, convívios e agregados de pessoas;
  • Evitar levar bebés e crianças a supermercados, centros comerciais, espaços fechados;

Desde que não esqueçamos algo essencial à vida de bebés e crianças:

  • Procurar entretenimento exterior, espaços de lazer exteriores. NÃO IR A CENTROS COMERCIAIS OU SUPERMERCADOS NÃO SIGNIFICA NÃO SAIR COM AS CRIANÇAS. Jardins, parques lúdicos ou simplesmente passear na rua fazem toda a diferença no dia-a-dia de bebés e crianças: vamos brincar com pedrinhas, folhas, paus de árvores? Vamos pisar areia ou simplesmente pisar a relva do jardim?

A atenção aos sintomas

Ao mesmo tempo, é crucial mantermo-nos atentos aos possíveis sintomas sugestivos de Covid-19:

Na presença de febre, tosse, dificuldade respiratória, devem contactar S24 / 112 e agir em conformidade;

Administrar SEMPRE medicamento para a febre (consultar artigo: «analgésicos e antipiréticos em pediatria»)

Não esquecer que depende de nós e que as boas práticas ditam a segurança de todos.

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