A convulsão febril: O que é? Como se manifesta? Que cuidados ter?

A convulsão febril: O que é? Como se manifesta? Que cuidados ter?

Set 7, 2020

Este é um dos grandes motivos de preocupação dos pais de bebés. Ainda antes do bebé nascer já muitos pensam nesta possibilidade e sofrem com ela. Ainda mais se existe história familiar de convulsão febril. Por certo os principais fatores que condicionam o surgimento de convulsão febril são:

  • História familiar de convulsão febril;
  • Idade mais jovem da criança;
  • Subida acelerada da temperatura.

A febre não deve, contudo, ser motivo de stress e ansiedade. Já vos tinha dito antes, no artigo «O meu bebé tem febre. E agora? A enfermeira responde», que a febre é algo positivo e benéfico.  Isto porque, vão perceber neste artigo: o prognóstico é excelente e o meu papel é, uma vez mais, ajudar-vos a descomplicar e tranquilizar esses corações 😍

O que é a convulsão febril?

É uma descarga bioenergética cerebral que surge numa criança saudável e que causa contrações musculares repetidas. Ocorre, em 80% dos casos, nas primeiras 24h de febre, e apenas 2% dos casos ocorre nas 48h após o início da febre. Habitualmente surge antes da febre ou logo no início da subida térmica: exatamente na subida repentina da temperatura corporal, entre os 37,5ºC e os 38,5ºC.

A maioria das pessoas julga ser em temperaturas elevadas que surge a convulsão febril, mas não há evidência que nos permita afirmar que a convulsão febril ocorre quando a criança tem temperatura corporal mais elevada.

 

Como se manifesta?

A princípio as manifestações passam despercebidas, com a criança a mostrar-se estranha, mas rapidamente inicia rigidez corporal, com movimentos involuntários da cabeça, braços e pernas; além disso, chamando por ela, não reage, pode revirar os olhos, espumar pela boca, ficar com os lábios cianóticos (arroxeados) e urinar e/ou defecar.

Dura 1 a 2 minutos, podendo ir aos 10 a 15 minutos (situações raras). Na generalidade, apesar de parecer durar “uma eternidade”, pára sem ser necessária intervenção específica.

Pode repetir-se

Sendo impossível prevêr em que crianças ou quando pode ocorrer. Há maior predisposição nos primeiros 6 meses após o primeiro episódio ou quando há história familiar de convulsão febril.

Devem ser feitos exames ou análises?

Habitualmente não são necessários exames ou análises, a não ser que outros sinais ou sintomas sejam identificados pelo clínico, para além da convulsão febril. Ou seja, o relevante aqui é entender-se de onde vem a febre e despistar outras patologias associadas.

É importante a ida ao hospital, na primeira crise…

Na maior parte dos casos, estas crianças ficam em observação no serviço de urgência por umas horas. Em caso de 2ª crise convulsiva febril, nem sempre é necessário recorrer ao serviço de saúde, mas é relevante que o médico da criança seja contactado, de forma a indicar o melhor procedimento e perceber-se a origem da febre.

Como lidar?

O importante é garantir a segurança da criança:

Manter a calma;

Deitar a criança numa superfície rígida (o chão é o ideal), de lado (para que a saliva e eventual vómito não provoquem engasgamento), preferencialmente longe de objetos pontiagudos;

Reduzir a estimulação do ambiente envolvente (intensidade luminosa, som);

Arrefecer a criança;

Administrar antipirético (preferível por via retal; procurando ver a temperatura corporal antecipadamente);

Ligar 112 e cumprir recomendações. Habitualmente, num primeiro episódio, recomenda-se ida ao hospital.

Lembrar-se de ver o tempo aproximado de duração da convulsão

Se for convulsão febril em criança com história dos mesmos episódios e já tiver medicação para o efeito, administrar: STESOLID via retal unicamente se a convulsão não tiver terminado.

O que NÃO fazer?

  • Ir ao hospital, em viatura própria, com a criança em episódio convulsivo.
  • Entrar em pânico 🤔 (não é fácil!);
  • Colocar nada na boca da criança (muitas pessoas têm tendência a colocar o próprio dedo na boca da criança e isso NÃO deve ser feito!);
  • Imobilizar braços e pernas;
  • Medicar pela boca – o ideal aqui é darem antipirético via retal.

Há riscos para o bebé?

Acima de tudo, perceber-se que, ao contrário do que se pensa, a convulsão febril não é, na generalidade, gravosa para a criança. Cessa espontaneamente e não tem qualquer risco cerebral.

O grande risco é de traumatismo acidental (nalguma quina de móvel ou alguma queda se estiver em cima de superfícies). Ao contrário do que a grande maioria das pessoas pensa, a convulsão febril NÃO CAUSA lesões cerebrais e NÃO condiciona o aparecimento de epilepsia. A epilepsia é uma doença neurológica onde há convulsões múltiplas e recorrentes, que em nada estão relacionada com a febre.

Em conclusão, os pais devem ser informados da necessidade de observação médica nestas situações, para excluir a causa da febre, mas também devem ter conhecimento do prognóstico geralmente bom das convulsões febris.

DGS, 2018

Sociedade Portuguesa de Neuropediatria, 2017

Associação de Saúde Infantil de Coimbra, 2011

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